Adrian Shaughnessy

A Codex esteve em Fevereiro na ESAD no Porto para assistir a uma conferência da Série “Personal Views”.

Nesta sessão o orador foi Adrian Shaugnessy.
Autor do livro “How To Be a Designer Without Losing Your Soul, Adrian presenteou a plateia com um discurso sólido e bem humorado tendo por base as premissas descritas no livro.
É um resumo dessa conferência que deixamos aqui no nosso Blog.

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Fundou a Intro em 1988. Foi director criativo por 15 anos. Escreve frequentemente no blog Design Observer e na Revista Creative Review

Chegou a gerir cerca de 40 pessoas na Intro. Diz que “managing people” é, de todas, a tarefa mais difícil. O muito tempo despendido com o atelier e com clientes levou a mulher a dizer que preferia ser cliente dele porque seria melhor tratada! (parece que o Adrian é muito simpático para os seus clientes).

Frisando a importância crescente do design refere que no Reino Unido o design é já o 3º curso mais poupular.

Associou ideias de antropometria com “business mind” dizendo que o design é um serviço mas cumpre também um objectivo. Tem

um valor social e político para além do valor comercial. Bom design = mundo melhor.

Para ele, um bom designer tem que responder a 3 pontos. Nesta fase lançou a pergunta à plateia de quais seriam esses 3 pontos.
Ninguém respondeu, mas na cabeça de muita gente e dito depois por ele, a coisa mais lógica, seria dizer talento. Por ser lógico que um designer só pelo facto de ser designer é talentoso (”talent is a given”), ele exclui o talento à partida e aponta-nos o seguinte:

- Cultural awarness
- Comunication
- Integrity

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Cultural awarness

Ao explicar este ponto citou Jessica Helfand - “Design challenge both, intelect and eye”, e também Ian Sinclair - “Make your owl life research”. O designer deve desenvolver outros interesses para além do design (na minha opinião pessoal, não é por acaso que a maioria dos designers tem uma relação forte com a música, sendo uma disciplina criativa, esta é estimulante para um designer)

Pelo meio referiu que num atelier o humor tem que estar sempre presente. Quem consegue viver com ele consegue ver “the bigger picture”.

Comunication

Abertura, ouve o que o cliente te diz. Conhecimento sobre o cliente, o que ele faz, área de negócio, etc. (Aqui deu um exemplo que se passou com ele. Tinha uma reunião marcada com uma entidade “x” [não me lembro - museu ou centro cultural…por aí…] e que desde o início pensou que era “y”…na reunião meteu os pés pelas mãos e perdeu o trabalho só pelo simples facto de ter confundido o cliente).

Comunicar não é só saber falar, é saber ouvir. Não falar de nós, mas sim ouvir o cliente, ser RECEPTIVO, fazer perguntas, ser ASSERTIVO. Saber quais as preocupações do cliente. Muitas vezes o que o cliente quer não está no briefing. Saber o que mais lhe interessa ao cliente. O que não quer…

How to Be a Graphic Designer

Comunicar é também saber falar do trabalho (falou de um livro do Norman Potter, “What is a designer“).

Neste ponto deu um exemplo espectacular. “Descreve o que fizeste. Não quero ver.” - isto era algo que fazia com alguns estagiários. Pedia-lhes um trabalho e, passado um tempo, ia perguntar como estava a ir, qual tinha sido a abordagem. O primeiro reflexo do designer é mostrar. Ele pedia-lhes que descrevessem tudo antes de mostrar. Isto faz com que o designer desenvolva as suas capacidades comunicativas. Perante o cliente, a ideia de se descrever o trabalho antes de mostrar é também fundamental. Desta forma criam-se menos “segundas leituras”.

É importante não usar “designer language” com um cliente. Saber falar numa lingua próxima de quem nos ouve. Esta frase é muito gira - “A apresentação é rejeitada, não a proposta” (acho que se percebe a mensagem - adoro esta frase).

Esta frase esteve no meu site na última semana e ele utilizou-a a meio da explicação do ponto 2 - “O cliente paga e não sabe o que vai ter. É aterrador. Quando se compra um sofá está-se a olhar para ele”.

Citou Rudy Vanderlans, da Emigre - “Se não percebes o que quer o cliente “desenha” um novo briefing em vez de o bombardeares com propostas”.

Tem que haver um equilíbrio de interesses Cliente/Designer. Apesar de ter que haver esse equilíbrio diz que nunca vamos deixar a “font” que gostamos, que nunca abdicamos do nosso gosto, mas que apesar disso devemos ser objectivos e não agradar simplesmente a nós mesmos. Nunca usar este argumento em momento algum - “Fiz isto porque gosto”.

No processo de comunicação temos de conseguir “falar” com todas as pessoas que trabalham connosco.

Integrity

É difícil comportarmo-nos eticamente. Nunca dizer aos outros o que fazer. Se acreditas em algo….vai. É dificil definir um código de ética. Acredita no “design” (Stand up for Design).

Neste ponto falou no “Free Pitching”. Há artigos interessantes sobre o tema em:
http://www.templatecentral.com/about/about_design_pitching.asp
http://www.agda.com.au/dm/studios/FreeP.html

Disse que por vezes os clientes respeitam-nos quando rejeitamos entrar nesse “esquema”, que tem um bom efeito e que até te começam a tratar melhor depois de o fazeres. Disse que, mesmo em tempos de fome, para se pedir algo (dinheiro) para entrar em concursos (free pitching).

Normalmente é mais lógico que se faça trabalhos nesse regime para clientes de áreas onde ainda não se tenha trabalhado. Ex.: Se já tens muito trabalho na área cultural é como se não precisasses de provar nada.

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